XLII Sessões

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XLII Congresso Internacional De Americanística

Perugia (Italia), 6 – de maio de 2020

Sessões

1) DISCURSO SOBRE O MÉTODO

ROMOLO SANTONI (CENTRO STUDI AMERICANISTICI “CIRCOLO AMERINDIANO”) romololmeca@hotmail.com

Naturalmente o título quer homenagear o grande René Descartes evidenciando a grande dívida intelectual que a ciência ocidental tem com ele.Os estudos americanísticos sempre se distinguiram, não somente pelo carácter de possibilidade da interdiciplinaridade de sua matéria, mas também pela necessidade de uma visão multi e interdisciplinar. Este aspecto consegue, por um lado, que as investigações que se realizam em tal âmbito se abram a um enriquecimento multiplo e, por outro, põe muitos problemas no tratamento dos dados.Em contextos onde a interdisciplinaridade se converte em algo essencial e a precisão do método se esclarece em diferentes perspectivas; os vínculos não são somente portadores de encontros rentáveis, intercâmbios e debates, mas, também de perigosos equilibrismos teóricos (as vezes com sérias repercussões sobre o plano prático).Por exemplo, um intenso debate divide linhas de investigações, que também no método aplicado encontram o limite entre estas e os respectivos âmbitos de ação.O estudo do método, aspecto peculiar da filosofia ocidental desde Cartesio adiante, se revela na atividade americanística muito mais que imprescindível. Para a qual resulta necessário propor um momento de reflexão antes da pesquisa, que evidencie as perspectivas e limites metodológicos.

 

2) AMAZÔNIA INDÍGENA

PARIDE BOLLETTIN (PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ANTROPOLOGIA, UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA, DEPARTMENT OF ANTHROPOLOGY, DURHAM UNIVERSITY) paride_bollettin@msn.com EDMUNDO ANTONIO PEGGION (UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO”, BRASIL) edmundopeggion@gmail.com

A Amazônia tem dentro dos próprios limites uma multiplicidade de sociedades, as quais apresentan uma variedade de explicações cosmológicas, de organizações sociais, de gestão da vida material que permitem a esta região encontrar-se numa posição privilegiada por todos os que estão interessados em confrontar-se com a complexidade das construções sociais, simbólicas, ou de outra forma aplicadas pelas diferentes comunidades humanas na própria cotidianidade. As centenas de grupos originários se deparam também com a necessidade de enfrentar o encontro com as sociedade dos diferentes estados nacionais onde estão situados seus respectivos territórios, emergem assim situações de encontro cultural e estratégias de resposta muito diferenciadas: ao lado de populações que resistem há cinco séculos o impacto do mundo da alteridade não-indígena; aparecem outras que enfrentam a poucos anos esse choque; desde as chamadas “comunidades resurgidas”, que redescobrem e revindicam a própria identidade cultural, até aquelas que se definem pelo “isolamento voluntário”, recusando-se ao contato com os não indígenas. Frente a tal complexidade de situações, esta sessão temática pretende apresentar pesquisas desenvolvidas a partir de trabalhos de campo, na tentativa de manifestar a situação atual de tais grupos.

 

3) DIREITOS INDÍGENAS: UMA DISCUSSÃO TRANSNACIONAL

MARIA LUISA DE FILIPPO, LADY SAAVEDRA, ELSA LÓPEZ (CENTRO STUDI AMERICANISTICI “CIRCOLO AMERINDIANO” ONLUS) convegno@amerindiano.org

O objetivo desta sessão é apresentar um debate interdisciplinar sobre o tema dos direitos indígenas.Aprovada em 2007, a Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas tem como principal meta o respeito à autodeterminação. O empenho e o desafio diante de tal proclamação consiste na sua aplicação em conjunto com outras medidas, que tenham o mesmo propósito, nos contextos nacionais da América Latina.Como os estados nacionais negociam com essas medidas aprovadas e assinadas pela maioria dos países da América Latina? De que modo as associações indígenas reivindicam seus direitos e o respeito às diversidades culturais perante as constituições nacionais? Quais são os principais conflitos?Questões como autedeterminação, diversidade e identidade cultural são os principais temas que propomos nesta sessão.

 

4) SIGNOS SÍMBOLOS E DINÂMICAS DE CONSTRUÇÃO DO TERRITÓRIO INDÍGENA

PIERO GORZA (CENTRO STUDI AMERICANISTICI “CIRCOLO AMERINDIANO” – INSTITUTO DE ESTUDIOS INDÍGENAS, SAN CRISTÓBAL DE LAS CASAS, CHIAPAS, MÉXICO) piero.gorza1@gmail.com

O tema crucial dessa sessão faz referência ao território como lugar no qual se sedimenta a memória e no qual os homens praticam incisões como exercícios de poder contra o caráter efêmero do tempo humano. A construção de mapas é por definição espaço aberto e interdisciplinar: mapas históricos, mapas políticos, mapas culturais, mapas simbólicos, mapas mentais e lingüísticos. As categorias de: fundar, relacionar-se a partir de um centro, instituir, territorializar, nominar, orientar-se e recordar-se como aquelas do desabitar, transitar, perder-se, crescer e aprender abrem o campo a reflexões sobre processos cognitivos e existenciais dos indivíduos e das coletividades. Se trata de uma sessão-encruzilhada entre centros e fronteiras.

 

5) MIGRAÇÕE RELAÇÕES NOMADISMOS ENTRE EUROPA E AS AMÉRICAS

THEA ROSSI (CENTRO STUDI AMERICANISTICI “CIRCOLO AMERINDIANO” – UNIVERSITÀ DEGLI STUDI “G. D’ANNUNZIO” CHIETI-PESCARA, ITALIA) thearossi@yahoo.it

A sessão pretende analisar os movimentos e os fluxos de ideias, de objetos e de capital humano que caracterizaram a história das relações transatlânticas entre a Europa e as Américas.Três as focalizações que queremos privilegiar, através de uma perspectiva com a finalidade de promover o dialogo multidisciplinar.Em primeiro lugar as dinâmicas e os processos reais e simbólicos que caracterizaram o fenômeno migratório em direção ao continente americano no século passado, sobretudo entre os dois conflitos mundiais e, ao mesmo tempo, o respectivo movimento de retorno, referido em particular modo nos últimos trinta anos, e causado por fatores de conjuntura socio-políticos e econômicos.Em segundo lugar, as relações que entrelaçam os dois contextos, criando um patrimônio material e imaterial comum. Além dos bens e manufaturados levaremos em conta, em particular, a criação de um imaginário coletivo. Enfim, a reflexão se estenderá aos nomadismos da época da mundialização: o constante fluxo de recursos humanos, a negociação e o contato entre culturas juntamente às possíveis novas formas de integração orientadas a conjugar o local e o global.

 

6) ETNOMUSICOLOGIA: SOBREVIVÊNCIA PERSISTÊNCIA E NOVAS CONTRIBUIÇÕES DA MÚSICA E DAS DANÇAS TRADICIONAIS NA AMÉRICA

MARÍA LINA PICCONI (CENTRO STUDI AMERICANISTICI “CIRCOLO AMERINDIANO”) lina_455@yahoo.com

É responsabilidade da etnomusicologia contestar uma série de perguntas que a humanidade pôs-se ao longo do tempo: quem criou a música? Como se cria? Para quem? Para quê? Com que finalidade?Considerando importante a falta de informações sobre o mundo das músicas tradicionais, cujas características vão desde a diversidade à sutileza das expressões musicais, proponho a abertura desta sessão.Existem, ainda, na América expressões musicais ou dancísticas, cujas raízes teriam se estendido até a época pré-colombiana e teriam se originado de uma antiga arte, cujo sentido teria sido esquecido.O advento da globalização tem contribuido para o surgimento de muitas dessas expressões musicais, principalmente urbanas, que tendem, como em outras partes do mundo, a uniformizar as particularidades locais.Por esta razão, é imprescindível nos dias atuais registrar e investigar estas expressões, para que não se perca a memória com o avanço do mundo globalizado.

 

7) IMAGINÁRIO E MEMÓRIA: ESTUDOS CULTURAIS

ANNA SULAI CAPPONI (UNIVERSITÀ DEGLI STUDI DI PERUGIA) anazulay@virgilio.it

Esta mesa tem um carater interdisciplinar que possui como principal objetivo apresentar estudos sobre as diversidades culturais que tenham como expressão todas as formas de representação.Sabemos que é por meio das representações sociais e individuais que podemos localizar as formações, transformações e ressemantizações identitárias que têm como característica de ser polissêmica e portanto polifônica. Por essa razão, a interdisciplinariedade não é um intrumento de trabalho mas uma teoria que tem por finalidade estudar os símbolos chaves culturais, de como são percebidos, concebidos e representados.Contemplamos todos os tipos de manifestações culturais pelo fato de que entendemos que as subjetividades culturais estão representadas nas formas literárias, cinematográficas, artísticas e que os estudos das representações culturais não é somente monopólio das disciplinas concebidas para esse fim.

 

8) QUESTÕES DE ANTROPOLOGIA MÉDICA NO CONTINENTE AMERICANO

PAOLA MARIA SESIA (CENTRO DE INVESTIGACIONES Y ESTUDIOS SUPERIORES EN ANTROPOLOGÍA SOCIAL CIESAS UNIDAD PACÍFICO SUR) paolasesia@yahoo.com.mx

Construir uma sessão dedicada à antropologica médica no âmbito latino-americano significa dar voz as múltiplas concepções e práticas em torno aos conceitos de saúde e doença presentes em tais contextos através de uma perspectiva histórica que tenha conta do presente como do passado. As relações hegemônicas que existem entre a biomedicina e as múltiplas respostas de saúde “locais e tradicionais” constituem um exemplo dos mais importantes âmbitos de interesse dessa disciplina.Levando em conta as experiências e as elaborações teóricas das diversas tradições dessa prespectiva, se assume o objetivo de constituir um útil espaço de diálogo e de confronto para a comunidade americanista atualmente empenhada em tal âmbito de estudo.Além disso, vista a experiência realizada por essa sessão nas edições anteriores do Congresso Internacional de Americanística, se quer favorir um espaço de debate como terreno de construção de reflexões comuns que possam depois ter uma recaída operativa sobre o tecido social dos contextos examinados.

 

9) REFLEXÕES TEÓRICO-METODOLÓGICAS DAS INTERAÇÕES SOCIAIS EM CONTEXTOS CLÍNICOS, NEL ÂMBITO DA SAÚDE MENTAL NO CONTINENTE AMERICANO

MARÍA ALEJANDRA SÁNCHEZ GUZMÁN, (FACULTAD DE MEDICINA, UNIVERSIDAD AUTÓNOMA DE MÉXICO, MÉXICO) alesanguz@yahoo.com.mx, TOMAS LOZA TAYLOR (FACULTAD DE MEDICINA, UNIVERSIDAD AUTÓNOMA DE MÉXICO, MÉXICO) tomoish@yahoo.es

A abordagem ao campo da saúde mental pela pesquisa qualitativa tem como objetivo aprofundar a complexidade dos discursos e práticas que o constroem durante os tratamentos, a partir dos quais emergem emoções, comportamentos e doenças neuropsiquiátricas. Da mesma forma, é possível observar as políticas de saúde que influenciam a formação dos especialistas, bem como as interações clínicas entre os sujeitos envolvidos nesse processo. Consequentemente, propomos refletir sobre pesquisas em saúde mental em contextos clínicos no continente americano, onde convergem as narrativas de todos os atores, regulamentos institucionais, ethos e tensões globais e locais do mundo social. Orientamos esta sessão com a seguinte abordagem: quais são os quadros teóricos mais pertinentes que explicam as interações sociais em contextos clínicos? Por isso, convidamos os cientistas sociais interessados ​​a refletir sobre a pesquisa no campo da saúde mental, através dos dados fornecidos pela etnografia na clínica e na co-produção narrativa, a fim de promover um diálogo com a biomedicina.

 

10) POLÍTICAS PÚBLICAS INSTITUIÇÕES E DEMOCRACIA NA AMÉRICA LATINA

BEATRIZ CALVO PONTÓN (CENTRO DE INVESTIGACIONES Y ESTUDIOS SUPERIORES EN ANTROPOLOGÍA SOCIAL, MÉXICO) beatrizcalvo_mx@yahoo.com

O modelo neoliberal, nos países latinoamericanos, têm levado consigo o retiro do Estado de responsabilidades sociais e de funções prioritárias, assim como a instrumentação de reformas extruturais as quais tentam fazer de modo tal que as sociedades se organizem com os critérios do livre mercado. Observamos algumas consequências: redução, privatização e aumento dos serviços públicos relativos à educação e à saúde, aumento da desigualdade e da pobreza e fortalecimento do monopólio nos setores chaves da economia e dos meios de comunicação, os quais interferem sempre mais nos processos políticos e no desenho das políticas públicas.A redefinição das políticas sociais orientou-se no campo social por meio de critérios de focalização nos grupos de extrema pobreza, porém, ao mesmo tempo, reduziram-se os recursos que permitem de progredir em direção à universalização dos direitos sociais.Por outro lado abriram-se espaços nos quais nasceram instituições autônomas ligadas a temas como direitos humanos, transparência e controladoria social. Na sociedade civil cresceu o número de organizações que lutam pela democratização das instituições e a melhoria dos serviços sociais. A conjunção desses processos mudou substancialmente a face das sociedades latinoamericanas.

 

11) ELEIÇÕES NA AMÉRICA LATINA

RENÉ VALDIVIEZO SANDOVAL (Universidad Iberoamericana Puebla, México) valdiviezo.rene@gmail.com

Nossa região vive de maneira regular, desde o fim das ditaduras, processos eleitorais que lhes permitem renovar autoridades e representantes populares geralmente de forma pacífica. De uma ótica liberal (ou neoliberal), esses processos são a expressão de existência da vida democrática nas nações. A partir de visões mais críticas, os processos eleitorais cada vez mais se convertem em rituais para a manutenção no poder de correntes políticas que não representam a população e utilizam esses processos para legitimar sua permanência no poder, o que conseguem, por vezes, através de mecanismos extra-legais. Esta exposição busca gerar uma discussão sobre as eleições na América Latina, em seus três (ou quatro) níveis, sobre a ação político-eleitoral (competência, resultados, conflitos, campanhas e sua relação com outros aspectos da vida social), sobre os atores político-eleitorais (partidos, grupos sociais e autoridades), e sobre a formação dos poderes nacionais/regionais/locais, sobre a base dos processos eleitorais. Embora se prefira estudos atuais, serão aceitos trabalhos históricos.

 

12) NOVAS E VELHAS ESCRAVIDÕES NAS LITERATURAS AMERICANAS

ROSA MARIA GRILLO (UNIVERSITÀ DEGLI STUDI DI SALERNO – CENTRO STUDI AMERICANISTICI “CIRCOLO AMERINDIANO” DI SALERNO) grillovov@gmail.com

À noção tradicional de ‘escravidão total’ que deu origem, nos séculos XVIII e XIX, à literatura anti-escravista em resposta ao ‘tráfico negreiro’ que canalizou, nas regiões tropicais da América do Norte e do Sul, grupos humanos inteiros sequestrados nas costas africanas, foi substituindo-se uma concepção mais ampla de escravidão, diversificada nas modalidades, tipologia, grau e natureza da dependência: sexual, tráfico de mulheres, drogas, hábitos, etc., sem esquecer a ‘escravidão total’ dos novos lager e locais de detenção / classificação de indivíduos migrantes. Narrar esse novo ‘indizível’ é o mais recente desafio da literatura, testemunhal e de criação, que não pode deixar de levar em consideração textos fundamentais como Uncle Tom’s Cabin or Life Among the Lowly de Harriet Beecher Stowe, Sab de Gertrudis Gómes de Avellaneda, Biografía de um cimarrón de Miguel Barnet.

 

13) ARQUEOLOGIA DAS AMÉRICAS: ENTRE A CULTURA MATERIAL E AS REPRESENTAÇÕES SIMBOLICAS

MARÍA TERESA MUÑOZ ESPINOSA (DIRECCIÓN DE ESTUDIOS ARQUEOLÓGICOS, INAH) munoz7576@yahoo.com JOSÉ CARLOS CASTAÑEDA REYES (UNIVERSIDAD AUTÓNOMA METROPOLITANA-IZTAPALAPA, MÉXICO) mrwti@xanum.uam.mx

As antigas culturas e civilizações americanas, desde a sua chegada ao Continente até o momento do contato com outros europeus, tomaram ou produziram em seus meios a base material que lhes permitiu criar as grandes manifestações de pensamento, da arte ou da simples vida quotidiana dos povos que habitaram no continente, e que se impressionaram com a rica história da antiga América, desde o Estreito de Bering até a Terra do Fogo.Este encontro apresenta-se como um ponto de encontro entre diferentes experiências de pesquisa arqueológica no continente americano, em especial na área da Mesoamérica e na área Central Andina e na Amazônia. Em toda a América, os símbolos associados à icnografia religiosa e artística são aspectos que a Arqueologia recupera, compara e explica, para compreender e fazer compreender a nossa história antiga.O diálogo acadêmico que se manifesta tem como objetivo ser um ponto de encontro onde se discutem os progressos dos projetos de pesquisa arqueológica em curso nos diferentes cenários americanos, ou os novos estudos e interpretações que se baseiam nas artes plásticas ou testemunhas escritas, entre outros. Propõe-se criar um ponto de encontro frequente onde se apresentem e se analisem diferentes aspectos – teóricos, metodológicos, factuais – da arqueologia do nosso continente.

 

14) MÉTODO, DESIGN E PLASTICIDADE DO ESPAÇO RELIGIOSO CONTEMPORÂNEO NA AMÉRICA LATINA: EXPRESSÃO SOCIAL MATERIALIZADA NOS SÉCULOS XX-XXI

MARÍA CRISTINA VALERDI NOCHEBUENA (BENEMÉRITA UNIVERSIDAD AUTÓNOMA DE PUEBLA, MÉXICO) crvalerd@gmail.com

A expressão social religiosa foi manifestada no templo como um espaço material de celebração de uma congregação de pessoas reunidas para celebrar um ritual de adoração e doutrina, que sofreu mudanças devido ao significado cultural e religioso, e que expressou influxos de renovação e a aplicação de diretrizes indicadas na maneira de construí-lo e que são o motivo de experiências que promovem a diversidade de plasticidade, estilos e disposições espaciais. Por isso, convidamos a enviar contribuições que mostrem espaços para a experiência de encontro e construção, que capturem linguagens plásticas de aspectos visíveis, artísticos e folclóricos, que tratem da manifestação histórica, artística e social através do estudo das transformações que o espaço religioso experimentou na América Latina no século XX-XXI, mantendo uma perspectiva inter e multidisciplinar que combina história, antropologia, arquitetura, artes plásticas e teologia, oferecendo um espaço de reflexão para especialistas internacionais no estudo de método, design e do plástico como expressão social materializado em espaços religiosos.

 

15) PATRIMÔNIO EDIFICADO: ANTROPOLOGIA E ARQUITETURA NA AMÉRICA

JOEL FRANCIS AUDEFROY (ESCUELA SUPERIOR DE INGENIERÍA Y ARQUITECTURA, IPN, MÉXICO) takatitakite@gmail.com; BERTHA NELLY CABRERA SÁNCHEZ (ESCUELA SUPERIOR DE INGENIERÍA Y ARQUITECTURA, IPN, MÉXICO) nema_67@yahoo.com.mx

A partir da “Convención sobre la protección del patrimonio mundial, cultural y natural” adotada em 1972 pela UNESCO, se proclamou a universalidade do sistema de pensamento e de valores ocidentais sobre este tema. Não obstante, este processo de reconhecimento do patrimônio edificado e natural não está livre de contradições. Quando em 1964 se redige a Carta de Veneza o enquadramento teórico e prático em que se inscreve esta Carta é a conciliação de posturas téoricas que se iniciaram no séc. XIX, desenvolvendo-se e consolidando-se no séc. XX. Esta sessão convida a refletir sobre os seguintes eixos:

  • A conservação e restauro do habitat tradicional numa perspectiva antropológica e no contexto atual de globalização.
  • A proteção estratégica dos tecidos patrimoniais urbanos e sua apropriação pelas populações que os habitam.
  • A conservação e restauro arquitetônico do patrimônio face ao consumo da indústria do turismo.
  • O mercado imobiliário vs conservação do patrimônio arquitetônico;
  • patrimônio em risco

As cidades históricas, o patrimônio arquitetônico e urbano como noções concebidas pelas sociedades ocidentais para encontrar-se com seu passado conseguiram seu intento? Ou será que contribuíram para construir uma identidade, ou são antes uma manifestação do projeto humanista de conservação? Do monumento arqueológico e histórico para uma élite ao projeto modernizador de bairros antigos para o turismo cultural, um largo caminho foi percorrido para benefício dos milhões de visitantes, mas com numerosos conflitos e várias tendências divergentes no continente americano.

 

16) FESTAS EM AMÉRICA LATINA: PRÁTICAS, PATRIMÓNIO CULTURAL, MODELOS DE GESTÃO DO ESPAÇO

DANIELA SALVUCCI (Libera Università di Bolzano, Italia) salvuccidana@gmail.com TOBIAS BOOS (Libera Università di Bolzano, Italia) tobiboos@gmail.com

Esta sessão examina o papel das festas latino-americanas, tanto na articulação entre diferentes entidades sócio-culturais (bairros, associações, município, etc.) da cidade e dos seus arredores, como na construção de identidades (étnicas, sincréticas, mestiças, regionais, nacionais, etc.). Será prestada especial atenção às práticas (desfiles, faces, representações, etc.), aos modelos espaciais (lugares com a nova semântica, lugares ocupados, o espaço publico que transforma-se em privado) e temporais da festa. Terá-se em consideração mesmo os processos de capitalização cultural da festa, sublinhando o papel dos meios de comunicação e do turismo. A primeira hipótese para começar a discussão é que herança festiva é um campo de negociação social, cultural e política. Outra hipótese é que as festas permitem a construção de identidades novas e inclusivas, plurais e hibridizadas a partir da fusão de diferentes formas urbanas e rurais de vida. Vai acolher estudos empíricos e considerações teóricas para desenvolver comparações interculturais de sistemas festivos.

 

17) ENCONTROS E DESENCONTROS EPISTEMOLÓGICOS NAS AMÉRICAS

PARIDE BOLLETTIN (Programa de Pós-graduação em Antropologia, Universidade Federal da Bahia, Department of Anthropology, Durham University) paride_bollettin@msn.com; EDMUNDO ANTONIO PEGGION (UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO”, BRASIL) edmundopeggion@gmail.com

No panorama contemporâneo, cada vez mais se acentua a necessidade da construção de diálogos com formas alternativas de atribuir significados às múltiplas experiências do vivido. Os povos culturalmente diferenciados estão, de um lado, enfrentando contextos destrutivos e, de outro, estão criando novas e inventivas parcerias. O impacto ambiental de megaempreendimentos reflete-se em diferentes concepções da fronteira humano-natureza, as políticas de educação escolar seguidas da inclusão em instituições universitárias ou administrativas ativam diferentes visões do que é conhecimento e pessoa, os processos migratórios intra e transnacionais e as politicas de territorialização evidenciam diferentes ideias sobre sociedade e coletivos, para citar alguns exemplos entre outros possíveis. Estes fenômenos geram diálogos que produzem encontros e desencontros entre formas especificas de pensar o humano e o mundo. Tais contextos nos levam a buscar uma compreensão mais aprofundada de como se produzem conjunções e tensões epistemológicas entre atores que aportam o próprio universo em diálogos complexos e polissêmicos. Nessa direção, a sessão quer debater, a partir de casos específicos e de abordagens etnográficas, históricas, etnocientificas, filosóficas e outras, de que forma tais relações acontecem e quais estratégias políticas e intelectuais são acionadas pelos atores nessas situações.

 

18) VIDA INDÍGENA ATRAVÉS DE VÁRIAS FONTES MEXICANAS

LUZ MARÍA MOHAR BETANCOURT (CENTRO DE INVESTIGACIONES Y ESTUDIOS SUPERIORES EN ANTROPOLOGÍA SOCIAL, MÉXICO)cucusmohar@hotmail.com

Esta sessão tem o objetivo de mostrar as diversas tipologias de fontes primárias, tais como códigos e manuscritos, que ocasionam novas informações sobre a história do México. Requer-se que cada participante da sessão apresente trabalhos de pesquisa novos que aprofundem a vida indígena e as mudanças e elementos de continuidade a partir da conquista. Temáticas como a evangelização, o sentimento de pertencimento à terra e a identidade serão objeto de interesse. Da mesma forma a importância do estudo da iconografia e a sua transformação nas variadas tipologias de suportes serão temáticas centrais da sessão. Nos interessa conhecer as diversas tipologias utilizadas para a análise dos documentos que se preservam nas bibliotecas, arquivos e museus, dentro da multiplicidade de lugares de preservação presentes no México e em outras cidades do mundo.

 

19) O EROTISMO ENTRE HISTÓRIA, LITERATURA E ARTE NAS AMÉRICAS

BERENIZE GALICIA ISASMENDI (BENEMÉRITA UNIVERSIDAD AUTÓNOMA DE PUEBLA) vincent_bere@hotmail.com

A temática desta sessão tem por objetivo enfrentar o erotismo no contexto americano. Os apresentadores se adentrarão nas diferentes noções do erótico para entendê-lo não somente no aspecto físico e sexual (pornográfico segundo o filosofo Byung-Chul Han), mas sobretudo como um dos meios primordiais para nos guiar no plano amoroso e no devir cotidiano da psique humana. Portanto, as apresentações serão focadas no diálogo entre literatura, história, arte e erótico, seja no plano estético, seja na capacidade de refletir sobre a nossa capacidade de amar e sobre a sexualidade (a intimidade e a imaginação do que somos, partindo de George Bataille – El erotismo, 1989 ISBN-13: 978-8472230613). Propomos uma reflexão, partindo do plano filosófico e estético de um tema sempre necessário e atual.

 

20) ESTADOS, MINORIAS E PROCESSOS DE ADMINISTRAÇÃO DE CONFLITOS

ROBERTO KANT DE LIMA ( UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE / INEAC – INSTITUTO DE ESTUDOS COMPARADOS EM ADMINISTRAÇÃO DE CONFLITOS, BRASIL) rkantbr@gmail.com, FABIO MOTA ( UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE / INEAC – INSTITUTO DE ESTUDOS COMPARADOS EM ADMINISTRAÇÃO DE CONFLITOS, BRASIL) reismota@gmail.com, JACOPO PAFFARINI (UNIVERSITÀ DEGLI STUDI DI PERUGIA, ITALIA; IMED – FACULDADE MERIDIONAL, BRASIL) j.paffarini@gmail.com

O interesse da sessão temática é o de selecionar estudos que analisem, no contexto americano, os reflexos dos diversos tipos de conflitos e violências que decorrem das relações entre Estado e grupos sociais minoritários. Considera-se que o papel do Estado é central, quer para produzir, quer para limitar conflitos sociais, que se expressam com frequência nas mais variadas formas de violência. Assim, busca-se reunir uma pluralidade de enfoques analíticos fundados em estudos empíricos, como as problemáticas relativas ao Estado democrático de direito; aos processos de criminalização de sujeitos sociais e seletividade penal, aos processos e formas institucionais e não institucionais de administração de conflitos (judicialização, mediação, conciliação, resolução, supressão); a demandas pelo reconhecimento de direitos por parte dos chamados grupos sociais minoritários; as moralidades, os valores e os sentidos de justiça – sensibilidades jurídicas -, mobilizados pelos atores envolvidos; as etnografias que focalizem o modo como tais processos são vivenciados por estes grupos sociais.

 

21) ESTUDOS DE GÊNERO: TENDÊNCIAS E DESAFIOS TEORICO-METODOLÓGICOS PERANTE A DIVERSIDADE SOCIO-CULTURAL DA AMÉRICA !

MARTHA ESTELA PÉREZ GARCÍA (UNIVERSIDAD AUTÓNOMA DE CIUDAD JUÁREZ, MÉXICO) meperez@uacj.mx, LETICIA PAREDES GUERRERO (UNIVERSIDAD AUTÓNOMA DE YUCATÁN, MÉXICO) guerrero@correo.uady.mx, MARÍA EUGENIA GUADARRAMA OLIVERA (UNIVERSIDAD VERACRUZANA, MÉXICO) mguadarrama@uv.mx

As origens dos Estudos de Gênero estão ligados ao movimento feminista. Esta relação constitui não só uma forma de ação socio-política, mas gera também uma atividade científica e novos enquadramentos analíticos. A investigação com perspectiva de gênero questiona as visões neutrais e androcêntricas de observar o mundo e, partindo da categoria de gênero como unidade de análise, explica as condições de desigualdade, subordinação e discriminação em que vivem mulheres e homens. Para isso toma em conta diversos condicionamentos que cruzam os/as sujeitos como idade, origem étnica, classe social, religião, localização geográfica, orientação sexual, etc. De modo que se torna importante analisar e discutir as tendências e desafios atuais dos Estudos de Gênero, com o escopo de conhecer qual o seu estado e quais são os contributos que esta linha teórica traz à América. Temáticas de vida cotidiana, mercado laboral, saúde, educação, sexualidade, participação política e social, quadro legal, meio ambiente, violência doméstica e sexual, entre outros, constituem apenas alguns dos campos que se estudam sob diversos eixos disciplinares como sejam estudos culturais, antropológicos, políticos, históricos, económicos, jurídicos, de comunicação, psicológicos, de educação, religiosos, etc.

 

22) OS SISTEMAS COMPLEXOS NA PESQUISA SOCIAL

CRISTINA PIZZONIA (UNIVERSIDAD AUTÓNOMA METROPOLITANA. UNIDAD XOCHIMILCO) pizzonia@hotmail.com, ÁNGEL JOSÉ MARTÍNEZ SALINAS (UNIVERSIDAD AUTÓNOMA METROPOLITANA. UNIDAD XOCHIMILCO) anuamtz@gmail.com

Esta sessão tem como objetivo explicar as dinâmicas sociais a partir da visão e formalização de sistemas complexos, na medida em que permitem a criação de uma teoria transdisciplinar e integradora de diferentes conhecimentos; usando métodos que identificam as variáveis ​​nos espaços de configuração que podem ser modelados. Esses modelos permitem, antes de tudo, esclarecer as interdependências invisíveis, bem como a construção de novas hipóteses de pesquisa usando métodos emprestados da matemática e da física, com a ajuda de técnicas computacionais. Nesse contexto, é pertinente discutir se, ao formalizar a complexidade, se identificam conhecimentos diferentes daqueles que obteríamos através de explicações lineares de causa e efeito; considerando a possibilidade de refletir sobre o modo como nos sistemas complexos do continente americano podem se achar articulações, ausentes até agora, formalizando assim pensamentos holísticos. Nesta sessão, os participantes são convidados a apresentar pesquisas baseadas nas Ciências da Complexidade, enriquecendo esta área de pesquisa com suas experiências.

 

23) O ESTUDO METÓDICO DA ESCRITA INDÍGENA TRADICIONAL, DÉCADAS APÓS SUA CRIAÇÃO

RITA FERNÁNDEZ DÍAZ (JOAQUÍN GALARZA A. C., MÉXICO), ritafernandez88@yahoo.com.mx, MIGUEL ÁNGEL RECILLAS (INSTITUTO DE INVESTIGACIONES ANTROPOLÓGICAS, UNAM; ESCUELA NACIONAL DE ANTROPOLOGÍA E HISTORIA, MÉXICO) mareg6@gmail.com

Esta sessão tem como objetivo apresentar os resultados de pesquisas realizadas em documentos pictóricos indígenas tradicionais, comumente conhecidos como códigos, nos quais é necessário estabelecer, de modo claro, o método e a metodologia utilizados como ferramenta de estudo. Os manuscritos pictóricos são considerados discursos indígenas, dada sua origem; populares, pelo próprio processo de produção e recepção; tradicionais, por sua circulação e históricos, por temas, estrutura e função a eles atribuídos.
Os códigos são concebidos como escritos, cujos processos de significação explicam situações comunicativas características do grupo sociocultural que os produziu: a análise interdisciplinar torna-se assim um imperativo, que tenta trabalhar boa parte de sua estrutura, função e significado, embora não esgote as possibilidades textuais.
Contemplamos o método galarziano, criado pelo cientista Joaquín Galarza; e várias contribuições de linguistas que apoiaram a semiótica greimasiana, a qual fornece os elementos para a Semiótica do Discurso, tal como a conhecemos hoje.

 

24) A NAVEGAÇÃO ENTRE ACAPULCO E AS FILIPINAS: UMA OURTA TROCA ENTRE DOIS MUNDOS

LUIS ALBERTO VARGAS (INSTITUTO DE INVESTIGACIONES ANTROPOLÓGICAS, UNAM, MÉXICO) vargas.luisalberto@gmail.com

Em 5 de novembro de 1564, cinco navios comandados por Andrés de Legaspi partiram de Barra de Navidad, com Fray Andrés de Urdaneta como piloto. Depois de chegarem às Filipinas, alguns retornaram de sua viagem em junho de 1565. A partir de então, até 1815, os dois portos se comunicavam uma ou duas vezes por ano. Manila se tornou o porto de onde pessoas e mercadorias vieram da Europa e Nova Espanha e de onde os da Ásia retornaram, transformando assim o México no sonho de uma rota entre o Oriente e o Ocidente. Os resultados de então até hoje se manifestam nas duas regiões, por exemplo na língua, na arquitetura, na agricultura, na gastronomia, no vestuário (manga de Manila, tamarindos, tuba, traje da China Poblana, palapas, luta de galos e parián e no Oriente com a adoção de pimenta, abacaxi, tianguis etc.). Além da raiz biológica filipina de muitos mexicanos, a qual é pouco conhecida, especialmente nas costas do Pacífico. Esse aspecto é abordado muito pouco e nesta sessão convidamos aqueles que têm estudos ou informações sobre os reflexos da relação entre essas duas regiões, a apresentar sua experiência. Obviamente, a troca não se limitou à Nova Espanha, já que desde a chegada dos navios, foram estabelecidos contatos – através do Pacífico – com toda a América do Sul e, quando as mercadorias chegavam ao estado de Veracruz, eram enviados, em seguida, para o Caribe e a costa atlântica do continente, criando consequências também duradouras. Portanto, é interessante analisar as consequências do contato entre a Ásia e a América em toda a América Latina.

 

25) SESSÃO NÃO TEMÁTICA

CENTRO STUDI AMERICANISTICI “CIRCOLO AMERINDIANO” convegno@amerindiano.org