Centro Servizi per il Volontariato di Perugia (CESVOL)
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di Lettere e Filosofia
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Se você for interessado em participar do Congresso, por favor consulte as normas de participação
No âmbito dos estudos americanistas dedicados ao período pré-colombiano, uma das áreas e dos períodos que recentemente não só foram maiormente estudados e pesquisados, mas também tem produzido um dos mais conspícuos e interessantes volumes de novas aquisições, é a área istmica e em particular a fase de trânsito da era marcada da hegemonia olmeca ao período sucessivo.
Dedicados a essa área nasceram nesses últimos anos o Progetto Archeologico La Venta e o projeto Ruta da Obsidiana, ambos com participação científica e institucional internacional mas com direção italiana. As duas pesquisas, que cobrem um setor disciplinar amplo (da arqueologia à etno-história, à antropologia cultural e médica, até à lingüistíca) e também um amplo espectro cronológico (do apogeu olmeca ao tardo período Clássico), se propõem como base para um espaço de reflexão sobre esta área.
O título específico (olmeca e pos-olmeca) ao lado do título mais generico (estudos olmequistas) procura individualizar não só a direção das palestras convidadas a participar mas também a problemática histórico-interpretativa que faz de fundo a essa proposta de sessão, ou seja, aquela da indidualização e delimitação histórico-cultural do fenômeno olmeca e, contemporaneamente, a abertura do objetivo da pesquisa para períodos escassamente conhecidos, como aquele do Clássico na área zoque do Chiapas ocidental.
A Arqueologia
Social Latino-americana: exemplos, capacidades e ação social
Ivan Briz Godino (Institució
Catalana de Recerca i Estudis Avançats – Consejo Superior de Investigaciones
Científicas, España – Department of Archaeology, The University
of York, United Kingdom – Centro Studi Americanistici “Circolo Amerindiano”)
ibriz@imf.csic.es
Maria Cristina Mineiro Scatamacchia (Museu de Arqueologia e Etnologia, Universidade
de São Paulo, Brasil – Instituto Panamericano de Geografia e Historia
– Centro Studi Americanistici “Circolo Amerindiano”) scatamac@usp.br
Luisa Vietri (Universitat Autònoma de Barcelona, Espanya – Centro Studi
Americanistici “Circolo Amerindiano”) luisvi@tin.it
Uma das vias de maior potencialidade
de desenvolvimento da arqueologia ocidental nos últimos 35 anos surgiu
a partir dos contextos latino-americanos. Curiosamente, sua grande potencialidade
de redirecionar a pesquisa arqueológica para a interpretação
social e histórica do passado em conexão com as condições
do presente tem sido muitas vezes evitada por outras correntes teórico-metodológicas.
As bases do materialismo histórico e dialética da corrente, que
nunca foram renunciadas, tem sido uma das grandes limitantes para que se desenvolvesse
o interesse e a aproximação.
Propomos com esta seção possibilitar um espaço de debate
onde exemplos, reflexões e atualizações das diferentes
propostas da Arqueología Social Latino-americana possam mostrar toda
sua capacidade e problemática.
A arte colonial
na América Latina
Ewa Joanna Kubiak (Katedra Historii Sztuki, Uniwersytet
Lódzki, Polska) ewakubiak@buziaczek.pl
A arte colonial na América
Latina é um campo de estudos que mantém ocupado há vários anos os estudiosos.
Os estudos ocilam entre a arte local e os contributos europeus adaptados as
novas circonstâncias. A arte na época colonial foi um instrumento muito importante
de apoio à evangelização dos novos territórios.
È importante tratar, entre outras, as características apropriadas pelas missões
na América Latina, no que diz respeito seja à arquitetura que à arte plástica
(pintura-escultura), concentrando o discurso também no traços distintivos da
arte missionária que foram comuns e inter-regionais, incluindo a influência
que exercitaram os sínodos e os concílios sobre a arte missionária. Esta influência
se reflete nas distintas características das óperas das várias ordens religiosas
como os jesuítas, os franciscanos e os dominicanos. São além disso muito interessantes
as relações entre a arte européia e aquela latino-americana, as transformações
dos modelos europeus e os seus adaptamentos ao mundo americano.
A sessão é voltada principalmente aos historiadores da arte, da arquitetura
e da cultura, mas também aos antropólogos, aos historiadores da religião e a
todos aqueles cujas pesquisas acolhem as artes visuais.
As culturas indígenas
do continente americano produziram uma pluralidade extraordinária de
práticas e visões de mundo. Desde o contato com a cultura européia,
no início da idade moderna, tais transformações cosmográficas
foram pensadas sub specie religionis, ou seja, através de uma
noção estranha aos horizontes hermenêuticos indígenas.
Do confronto entre sistemas diferentes de valores emergiu, então, um
espaço discursivo no interior do qual as crenças e práticas
indígenas foram compreendidas através da moderna noção
ocidental de religião. Nessa perspectiva, cada pesquisa sobre as religiões
indígenas das Américas constuitue também uma ocasião
para estabelecer um campo de indagação autoreflexivo e crítico.
Pensamos ser útil promover nesta sessão uma colaboração
entre disciplinas diferentes (antropologia, história, história
das religiões) com o propósito de contribuir não apenas
para a pesquisa das características específicas das culturas indígenas,
mas também para observar as práticas ocidentais de confronto intercultural.
Amazônia
Indígena
Edmundo Antonio Peggion (Universidade Estadual Paulista “Júlio
de Mesquita Filho”, Brasil) edmundopeggion@gmail.com
Clarice Cohn (Universidade Federal de São Carlos, Brasil) clacohn@gmail.com
Paride Bollettin (Centro Studi Americanistici “Circolo Amerindiano”
– Università degli Studi di Perugia, Italia) paride_bollettin@msn.com
A Amazônia tem dentro
dos próprios limites uma multiplicidade de sociedades, as quais apresentan
uma variedade de explicações cosmológicas, de organizações
sociais, de gestão da vida material que permitem a esta região
encontrar-se numa posição privilegiada por todos os que estão
interessados em confrontar-se com a complexidade das construções
sociais, simbólicas, ou de outra forma aplicadas pelas diferentes comunidades
humanas na própria cotidianidade. As centenas de grupos originários
se deparam também com a necessidade de enfrentar o encontro com as sociedade
dos diferentes estados nacionais onde estão situados seus respectivos
territórios, emergem assim situações de encontro cultural
e estratégias de resposta muito diferenciadas: ao lado de populações
que resistem há cinco séculos o impacto do mundo da alteridade
não-indígena; aparecem outras que enfrentam a poucos anos esse
choque; desde as chamadas “comunidades resurgidas”, que redescobrem
e revindicam a própria identidade cultural, até aquelas que se
definem pelo “isolamento voluntário”, recusando-se ao contato
com os não indígenas. Frente a tal complexidade de situações,
esta sessão temática pretende apresentar pesquisas desenvolvidas
a partir de trabalhos de campo, na tentativa de manifestar a situação
atual de tais grupos.
Direitos Indígenas:
uma discussão transnacional
Maria de Lourdes Beldi de
Alcântara (Universidade de São Paulo, Brasil – International
Working Group for Indigenous Affairs, Denmark – Grupo de Apoio aos Povos
Guarani e Aruak, Brasil – Ação dos Jovens Indígenas
da Reserva de Dourados, Brasil) loubeldi@uol.com.br
O objetivo desta sessão
é apresentar um debate interdisciplinar sobre o tema dos direitos indígenas.
Aprovada em 2007, a Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas
tem como principal meta o respeito à autodeterminação. O empenho e o desafio
diante de tal proclamação consiste na sua aplicação em conjunto com outras medidas,
que tenham o mesmo propósito, nos contextos nacionais da América Latina.
Como os estados nacionais negociam com essas medidas aprovadas e assinadas pela
maioria dos países da América Latina? De que modo as associações indígenas reivindicam
seus direitos e o respeito às diversidades culturais perante as constituições
nacionais? Quais são os principais conflitos?
Questões como autedeterminação, diversidade e identidade cultural são os principais
temas que propomos nesta sessão.
Signos, símbolos
e dinâmicas de construção do território indígena
Piero Gorza (Centro Studi
Americanistici “Circolo Amerindiano” – Università degli
Studi di Torino – Università degli Studi di Salerno, Italia) pierogo@tin.it
Pedro Pitarch Ramón (Universidad Complutense de Madrid, España) petul@telefonica.net
O tema crucial dessa sessão faz referência ao território como lugar no qual se sedimenta a memória e no qual os homens praticam incisões como exercícios de poder contra o caráter efêmero do tempo humano. A construção de mapas é por definição espaço aberto e interdisciplinar: mapas históricos, mapas políticos, mapas culturais, mapas simbólicos, mapas mentais e lingüísticos. As categorias de: fundar, relacionar-se a partir de um centro, instituir, territorializar, nominar, orientar-se e recordar-se como aquelas do desabitar, transitar, perder-se, crescer e aprender abrem o campo a reflexões sobre processos cognitivos e existenciais dos indivíduos e das coletividades. Se trata de uma sessão-encruzilhada entre centros e fronteiras.
Migrações
e percursos da identidade no continente americano
Thea Rossi (Centro Studi
Americanistici “Circolo Amerindiano” – Università degli
Studi “G. d’Annunzio” Chieti-Pescara, Italia) thearossi@yahoo.it
Laura Scarabelli (Università IULM - Milano, Italia) laura.scarabelli@iulm.it
A crise da modernidade evidência
um prepotente cancelamento das fronteiras, seja a nível ideológico
que físico, e veícula a necessidade de propor novas interrogativas
voltas à decifração de um universo sempre mais “globalizado”,
no qual o mesmo conceito de indentidade vem colocado a dura prova. A impossibilidade
de confiar em categorias que orientem a interpretação do real
em termos antinómicos quais, a exemplo, centro-periferia, espaço
urbano-espaço campestre, implica a exigência de uma reformulação
de sistemas descritivos que possa considerar a transformação do
sujeito de unitário e unívoco a múltiplo e migrante. Se
consegue, portanto, uma reflexão sobre: o constante fluxo de recursos
humanos, a negociação e contato entre culturas, possíveis
formas de integração, chances de vida e sobre criação
de várias “linguagens”.
Dinâmicas
e políticas territoriais na América Latina
As dinâmicas de ocupação
dos espaços e os direitos territoriais têm assumido importância
crucial na relação entre os Estados latinoamericanos e a sociedade
civil. É possível perceber o considerável empenho das instituições
latinoamericanas na organização da máquina pública
de modo a acolher os estímulos provenientes dos acordos internacionais
para o desenvolvimento sustentável expresso a partir da inserção
da temática ambiental e da regularização do solo urbano.
Todavia, é possível perceber duas principais tensões: uma
oscilante atuação das políticas e das regularizações
normativas que são fragilizadas diante do apelo ao crescimento econômico
e uma certa impermeabilidade às instâncias de participação
movidas pela sociedade civil. Diante dessa constatação, esta sessão
acolherá trabalhos que problematizem as diferentes formas de ocupação
territorial, uso de seus recursos ambientais, conflitos diante de diferentes
lógicas de apropriação territorial, impactos de projetos
de desenvolvimento sobre territórios, direitos territoriais articulados
aos movimentos sociais e às identidades coletivas.
Rostos e imagens
das Américas: entre genocídio e resgate étnico
Giulia Bogliolo Bruna (Centro
Studi Americanistici “Circolo Amerindiano” – Centre d’Études
Arctiques, École des Hautes Études en Sciences Sociales, France)
gbogliolo.bruna@gmail.com
Através do estudo das cruzadas
fontes documentais, textuais e/o iconográficas (cartografia, gravuras, ilustrações,
etnofotografia, filmes), a sessão visa explorar, sobre um eixo espacial, diacrônico
e sincrônico, o processo de percepção e de construção da imagem do Outro da
Descoberta aos dias atuais.
A temática, a vocação humanística, presta-se a uma variedade de abordagens metodológicas
e disciplinares voltadas a dar conta das ricas, complexas e evolutivas realidades
antropológicas e sociais das Américas.
Figuras paradigmáticas destas alteridades: os indígenas, os migrantes (forçados
ou não), os marginalizados, os atores do Sonho Americano.
A reflexão realizada nesta sessão quer ser uma homenagem polifônica e diferenciada
ao empenho constante, multiforme e meritorio do amigo Gerardo Bamonte em favor
do reconhecimento da dignidade e do valor das culturas ameríndias.
O Nobel e a
literatura hispanoamericana
Rosa Maria Grillo (Università
degli Studi di Salerno, Italia – Centro Studi Americanistici “Circolo Amerindiano”)
grillovov@tiscali.it
Cada atribuição do
Prêmio Nobel de literatura – e não apenas – porta consigo
uma polêmica inevitável sobre quem venceu, mas também sobre
quem não venceu (há sempre um candidato negado) e sobre a motivação
política – além que literária – que influenciou
sua decisão. O prêmio recente a Mario Vargas Llosa reacendeu este
debate, trazendo à memória os Nobel recebidos e os Nobel negados,
convidando à reescrita de uma história da literatura hispanoamerica
através de uma “História dos Nobel” e a uma leitura
dos discursos de aceite, escritos que sempre reportam a questões de política
e de política cultural.
Literatura americana:
sessão não temática
Rosa Maria Grillo (Università
degli Studi di Salerno, Italia – Centro Studi Americanistici “Circolo
Amerindiano”) grillovov@tiscali.it
Giulia Bogliolo Bruna (Centro Studi Americanistici “Circolo Amerindiano”
– Centre d’Études Arctiques, École des Hautes Études
en Sciences Sociales, France) gbogliolo.bruna@gmail.com
Estéticas
latinoamericanas: outros caminhos e outras formas de sensibilidade
Na América Latina se estabeleceu desde
a época colonial uma cisão profunda entre as artes e os ofícios, permanecendo no imaginário
coletivo a ideia da arte como inspiração. Igualmente, se reduziram as estéticas às belas artes
excluindo as expressões provenientes dos povos originários e das comunidades afro-descendentes,
as quais foram classificadas em relação com o artesanato. Foi somente a partir do século XX,
com o muralismo e a Bienal de São Paulo, iniciada em 1951, que se começa a romper com as
restrições assinaladas desde a Colônia. Os novos movimentos estéticos expandem o olhar da
arte e do artista ao elaborar obras com conteúdos indigenistas e com um profundo sentido de
consciência nacional. Hoje assistimos a expressões marcadas por uma outra estética, que toma
como ponto de partida teórico e prático o conjunto das relações humanas e seu contexto social.
A arte atual na América latina problematiza a esfera relacional, incorporando a estética à
participação social, na medida em que estabelece um interstício social como espaço para as
relações humanas sugerindo possibilidades de intercâmbio distintas das hegemônicas. Ocorre
uma inserção na trama social na medida em que a arte expressa um estado de encontro. O
artista supera o caráter objetal da produção-reprodução e aparece como um produtor de
significados.
Etnomusicologia:
sobrevivência, persistência e novas contribuições da música e das danças tradicionais
na América
María Lina Picconi
(Universidad de Buenos Aires, Argentina) lina_455@yahoo.com
É responsabilidade
da etnomusicologia contestar uma série de perguntas que a humanidade
pôs-se ao longo do tempo: quem criou a música? Como se cria? Para
quem? Para quê? Com que finalidade?
Considerando importante a falta de informações sobre o mundo das
músicas tradicionais, cujas características vão desde a
diversidade à sutileza das expressões musicais, proponho a abertura
desta sessão.
Existem, ainda, na América expressões musicais ou dancísticas,
cujas raízes teriam se estendido até a época pré-colombiana
e teriam se originado de uma antiga arte, cujo sentido teria sido esquecido.
O advento da globalização tem contribuido para o surgimento de
muitas dessas expressões musicais, principalmente urbanas, que tendem,
como em outras partes do mundo, a uniformizar as particularidades locais.
Por esta razão, é imprescindível nos dias atuais registrar
e investigar estas expressões, para que não se perca a memória
com o avanço do mundo globalizado.
Imaginário
e memória: estudos culturais
Maria de Lourdes Beldi de
Alcântara (Universidade de São Paulo, Brasil – International
Working Group for Indigenous Affairs, Denmark – Grupo de Apoio aos Povos
Guarani e Aruak, Brasil – Ação dos Jovens Indígenas
da Reserva de Dourados, Brasil) loubeldi@uol.com.br
Esta mesa tem um carater
interdisciplinar que possui como principal objetivo apresentar estudos sobre as
diversidades culturais que tenham como expressão todas as formas de
representação.
Sabemos que é por meio das representações sociais e individuais
que podemos localizar as formações, transformações e
ressemantizações identitárias que têm como
característica de ser polissêmica e portanto polifônica.
Por essa razão, a interdisciplinariedade não é um intrumento
de trabalho mas uma teoria que tem por finalidade estudar os símbolos
chaves culturais, de como são percebidos, concebidos e representados.
Contemplamos todos os tipos de manifestações culturais pelo fato de
que entendemos que as subjetividades culturais estão representadas nas
formas literárias, cinematográficas, artísticas e que os
estudos das representações culturais não é somente
monopólio das disciplinas concebidas para esse fim.
Questões
de antropologia médica no continente americano
Tullio Seppilli (Fondazione
Angelo Celli per una cultura della salute, Italia) seppilli@antropologiamedica.it
Claudia Avitabile (Centro Studi Americanistici “Circolo Amerindiano”)
cavitabile@hotmail.com
Carlotta Bagaglia (Fondazione Angelo Celli per una cultura della salute, Italia
– Centro Studi Americanistici “Circolo Amerindiano”) bagaglia@antropologiamedica.it
Construir uma sessão dedicada à antropologica médica no âmbito latino-americano significa dar voz as múltiplas concepções e práticas em torno aos conceitos de saúde e doença presentes em tais contextos através de uma perspectiva histórica que tenha conta do presente como do passado. As relações hegemônicas que existem entre a biomedicina e as múltiplas respostas de saúde “locais e tradicionais” constituem um exemplo dos mais importantes âmbitos de interesse dessa disciplina.
Levando em conta as experiências e as elaborações teóricas das diversas tradições dessa prespectiva, se assume o objetivo de constituir um útil espaço de diálogo e de confronto para a comunidade americanista atualmente empenhada em tal âmbito de estudo.
Além disso, vista a experiência realizada por essa sessão
nas edições anteriores do Congresso Internacional de
Americanística, se quer favorir um espaço de debate como terreno
de construção de reflexões comuns que possam depois ter
uma recaída operativa sobre o tecido social dos contextos examinados.
Políticas públicas,
instituições e democracia na América Latina
Beatriz Calvo Pontón
(Centro de Investigaciones y Estudios Superiores en Antropología Social,
México) beatrizcalvo_mx@yahoo.com
O modelo neoliberal, nos
países latinoamericanos, têm levado consigo o retiro do Estado
de responsabilidades sociais e de funções prioritárias,
assim como a instrumentação de reformas extruturais as quais tentam
fazer de modo tal que as sociedades se organizem com os critérios do
livre mercado.
Observamos algumas consequências: redução, privatização
e aumento dos serviços públicos relativos à educação
e à saúde, aumento da desigualdade e da pobreza e fortalecimento
do monopólio nos setores chaves da economia e dos meios de comunicação,
os quais interferem sempre mais nos processos políticos e no desenho
das políticas públicas.
A redefinição das políticas sociais orientou-se no campo
social por meio de critérios de focalização nos grupos
de extrema pobreza, porém, ao mesmo tempo, reduziram-se os recursos que
permitem de progredir em direção à universalização
dos direitos sociais.
Por outro lado abriram-se espaços nos quais nasceram instituições
autônomas ligadas a temas como direitos humanos, transparência e
controladoria social. Na sociedade civil cresceu o número de organizações
que lutam pela democratização das instituições e
a melhoria dos serviços sociais. A conjunção desses processos
mudou substancialmente a face das sociedades latinoamericanas.
Administrações
locais, participação cidadã e democracia
René Valdiviezo Sandoval
(Instituto de Ciencias de Gobierno y Desarrollo Estratégico, Benemérita
Universidad Autónoma de Puebla, México) valdiviezo.rene@gmail.com
Jorge David Cortés Moreno (Instituto de Ciencias de Gobierno y Desarrollo
Estratégico, Benemérita Universidad Autónoma de Puebla,
México) jdcortesm@yahoo.com.mx
A sessão tratará
de temas relacionados às diversas formas de participação
cidadã, a sua relação com as administrações
locais (de terceiro e quarto nível) e a sua contribuição
para a democracia nas comunidades em questão. Serão recebidas
intervenções que reflitam e forneçam evidências empíricas
sobre o assunto ou estudos de caso sobre ações cidadãs
e a sua relação com as administrações locais e a
gestão democrática destas. Na América Latina, de modo particular,
os processos de democratização passam por ações
cidadãs que influenciam diretamente as administrações locais
e obtêm mudanças na sua gestão e na sua relação
com a cidadania. Tais ações tem influência direta sobre
a democratização das administrações locais, assim
como mostram à população os efeitos da participação
cidadã e redimensionam, em diversas ocasiões, os poderes dos administradores
em exercício. Em outros casos, as ações em questão
se convertem em elementos que candidatos e/ou partidos tomam para si para as
eleições locais sucessivas. Serão bem aceitas comunicações
relativas às experiências cidadãs na gestão das próprias
demandas, ações do governo local em resposta a demandas e pressões
de cidadania, mobilizações que colocam em discussão as
autoridades locais e a relação eleições-participação
cidadã-pública administração local.
Centralidade
das margens e novas formas de cidadania
A intenção desta sessão
é discutir a modalidade pela qual, grupos tradicionalmente pensados na
categoria de marginalidade, experimentam novos modelos de cidadania em termos
paradigmáticos para a subjetividade contemporânea, descentrados
e localizados fora da aceleração dos mecanismos desagregadores
da globalização. Convida assim a analisar como os “condenados
da terra”, os povos colonizados e os descendentes de escravos, os indígenas
e os indigentes, os migrantes e clandestinos, os refugiados colocam em prática
novos perfis de cidadania que superam em muito o simples reconhecimento de ordenamentos
e princípios constituídos no sentido de favorecer uma participação
ativa deles na redefinição e reconfiguração dos
sistemas econômicos, políticos e sociais. Nosso desejo é
estimular a reconsideração dos fundamentos da cidadania por meio
de uma relação não demasiado imediata entre o Estado e
a Nação bem como de identificar as contradições
entre as formas locais de organização social e as formas múltiplas
de cidadania que lhes são oferecidas, entre estratégias políticas
e modalidades de participação, entre tradições de
conhecimento e a construção de direitos universais.
Antropologia
da globalização: transnacionalismo, multiculturalidade, aterritorialidade
e segurança cultural
Formalmente a globalização é um processo (ou uma série de processos) com tendência mundial, que engloba uma transformação na organização das relações e dos acordos sociais no espaço, avaliada em relação ao seu conseguimento, à sua intensidade, à sua velocidade e às suas repercussões, e que gera fluxos e redes transcontinentais e inter-regionais de atividade, de interação e de exercício do poder. Esta sessão de trabalho sugere fundamentalmente de refletir, seja teoricamente que no campo, sobre os dois significados basilares da globalização: o incremento da integração dos vários lugares na econômia mundial e os efeitos de uma ampla circulação de bens e personas e de sistemas de comunicação baseados nos fluxos culturais multidirecionais. Os eixos temáticos a partir dos quais se orientará o debate são: os paradigmas da globalização, a transnacionalização, a segurança social e a migração, a democracia, a multiculturalidade e a religião.